André Quintão | Café com Política
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O secretário nacional de Assistência Social, André Quintão, afirmou que o PT precisa ampliar alianças para ser competitivo em Minas Gerais e defendeu a união do campo progressista no Estado. Em entrevista ao Café com Política, exibido no canal de O TEMPO no YouTube nesta segunda-feira (30/3), o ex-deputado estadual também falou sobre sua saída do governo federal, o cenário eleitoral em Minas Gerais e fez críticas à gestão Zema.
Para Quintão, a construção política em Minas precisa ser ampla e baseada no diálogo entre diferentes forças. “O PT sozinho, é difícil ganhar uma eleição nesse momento aqui em Minas”, afirmou. Segundo ele, a saída é construir uma frente mais abrangente. “É importante [...] que nós busquemos uma unidade desse campo progressista em Minas Gerais, também com outros partidos”, pontuou o secretário, que fez um alerta: “Se você começa com a exclusão, não é um bom caminho”.
Questionado sobre a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas e as críticas do ex-dirigente ao PT e ao presidente Lula (PT), Quintão minimzou e reforçou a importância da unidade política. “O meu convívio com o ex-prefeito Kalil na campanha (de 2022) foi excelente. Criamos uma relação muito sólida, hoje em dia converso pouquíssimo, estou morando em Brasília, dedicado ao projeto nacional. Agora, Kalil tem suas críticas ao PT, como setores do PT também têm suas críticas à forma dele fazer política”, avaliou.
Ainda assim, Quintã defendeu a construção de alianças mais amplas. “É muito importante em Minas a construção de um campo democrático que se oponha a esse campo conservador”, pontuou. “Nós temos que buscar o maior diálogo possível com todos aqueles que pensam ou pelo menos convergem em ideias básicas de inclusão social, de defesa da democracia, de respeito ao cidadão”.
Durante a entrevista, o secretário confirmou que pretende deixar o cargo em breve no governo federal para participar das eleições em Minas Gerais. “Quero participar do processo político em Minas Gerais”, afirmou. Ele indicou que a decisão passa pela necessidade de atuar mais diretamente no cenário local. “Provavelmente estarei já nos próximos dias também me desincompatibilizando”, disse. Sobre o futuro político, sinalizou uma possível candidatura ao Legislativo estadual: “Talvez uma vaga na Assembleia, ouvindo as pessoas, ouvindo os movimentos sociais”.
Questionado sobre a disputa ao Senado, o ex-deputado elogiou a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT). “Dentro do PT, o nome da Marília é unanimidade”, afirmou. Segundo ele, a petista reúne condições para a disputa. “Tem todas as condições de ser eleita”, disse. Ainda assim, reforçou a importância de uma construção coletiva. “Numa construção coletiva é importante ouvir todos”, ponderou.
Ao avaliar o cenário eleitoral e a possível candidatura do governador Romeu Zema (Novo) à Presidência, Quintão foi crítico à gestão estadual. “Se ele for mostrar para o Brasil o que ele fez em Minas Gerais, ele terá pouca chance eleitoral”, afirmou. O secretário de Lula também apontou falta de avanços em áreas essenciais. “A gente não sente melhorias significativas em políticas públicas fundamentais, como saúde, educação, segurança”, disse.
Balanço
Na área social, o secretário destacou as mudanças no Bolsa Família e o reforço no combate a irregularidades. “Quem precisa está dentro, quem não precisa está fora”, afirmou. Ele explicou que o governo investiu na atualização do Cadastro Único e no cruzamento de informações. “Há um processo permanente de atualização cadastral [...] com a modernização tecnológica, que permite todos os dias o cruzamento de base de dados”, disse.
Quintão afirmou ainda que as políticas sociais do governo têm como meta promover mudanças estruturais. “Você rompe com o que a gente chama de ciclo geracional e vicioso da pobreza”, avaliou. Segundo ele, a estratégia envolve garantir renda básica e ampliar oportunidades. “Você apoia a família para que os filhos e netos tenham uma condição melhor do que seus pais”, disse.
O secretário também destacou medidas voltadas à autonomia das famílias. “Uma outra mudança importante é a regra de proteção àquela pessoa que recém ingressa no mercado de trabalho”, afirmou.